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Templo de Oxal� (detalhe)
1977. Escultura em madeira pintada, parte da instala��o com 14 esculturas e 20 objetos-emblema. XIV Bienal Internacional de S�o Paulo





A Pedra de Raio de Rubem Valentim, Ob�-Pintor da Casa de M�e Senhora


Por Paulo Herkenhoff

Ele era ob� da Casa de M�e Senhora. O iyalorix� do Ax� Op� Afonj� (1), terreiro da na��o ketu, era pintor amador de quadros, depois de iniciado na adolesc�ncia por Arthur Come-S�, pintor-decorador de paredes. Deixou a profiss�o de dentista para se dedicar � pintura, a conselho de sua M�e Senhora (2). A trajet�ria do Ob� Rubem Valentim, obsessivamente dedicada aos orix�s, � uma das aventuras mais fi�is a um tema na arte brasileira. No entanto, como quem procura sua voz, a obra de Valentim trazia, mais profundamente, uma incessante busca da linguagem. O machado duplo de Xang�, que corta de dois lados, foi um padr�o principal e tamb�m a met�fora de uma arte que duplamente pensa na tradi��o ocidental e incorpora genuinamente as ra�zes africanas da cultura brasileira. � o pr�prio artista que declara em seu Manifesto ainda que tardio: "Intuindo o meu caminho entre o popular e o erudito, a fonte e o refinamento - e depois de haver feito algumas composi��es, j� bastante disciplinadas, com ex-votos, passei a ver nos instrumentos simb�licos, nas ferramentas do candombl�, nos abeb�s, nos paxor�s, nos ox�s, um tipo de 'fala', uma po�tica visual brasileira, capaz de configurar e sintetizar adequadamente todo o n�cleo de meu interesse como artista. O que eu queria e continuo querendo � estabelecer um 'design' (que chamo Riscadura Brasileira), uma estrutura apta a revelar nossa realidade" (3).

Os negros trazidos para a Am�rica como escravos viveram a dimens�o de um corte cultural abrupto e brutal. Era uma interrup��o do tempo com a desintegra��o promovida pela di�spora. O fil�sofo argentino Saul Karsz, ao estudar o tempo e seu segredo na Am�rica Latina, observou que, para os contigentes formados pela escravid�o, alegorias de melancolia do passado pavimentaram o caminho para a repres�lia de um tempo roubado cuja saga e fracasso foram recontados pelo realismo m�gico de Alejo Carpentier em El Siglo de las Luces (1962) (4). No Brasil, Gra�a Aranha, em sua A Est�tica da Vida (1921) (5), havia conclu�do que a cultura brasileira deveria transformar sensa��es em obras de arte e se constituir a partir de uma nova rela��o com a natureza do pa�s. Comparando as tr�s etnias b�sicas da forma��o da brasilidade, Gra�a Aranha argumentou que os portugueses traziam melancolia, os �ndios e os negros mantinham uma rela��o com a natureza marcada por uma 'metaf�sica b�rbara'. Os povos africanos teriam trazido um 'terror c�smico' (medo da natureza que se expressa atrav�s de representa��es ilus�rias), enquanto que os �ndios transmitiam uma 'metaf�sica do terror' (que enche de fantasmas o espa�o entre a natureza e o esp�rito humano). Para Gra�a Aranha, o projeto moderno seria a supera��o desse dualismo por meio da integra��o do eu no cosmo.

Na perspectiva hist�rica da Am�rica Latina, Karsz fala ainda de presentifica��o do passado. No entanto, Rubem Valentim e sobretudo a gera��o anterior j� n�o poderiam viver a nostalgia da �frica, mas experimentaram uma atualidade do presente, como tempo de reivindica��o do direito de cidadania ao culto (6) e de integra��o na cultura brasileira. Era uma luta no interior de uma sociedade que sofria de um "complexo de inferioridade do passado africano", em que negro e africano tornaram-se sin�nimos de escravo, conforme observa o antrop�logo Arthur Ramos (7).

A an�lise da trajet�ria de Rubem Valentim enseja pequeno retrospecto de momentos de problematiza��o da heran�a africana na formula��o hist�rica da arte do Brasil. O primeiro estudioso da arte religiosa afro-brasileira foi Nina Rodrigues em 1904, com o seu artigo "As Belas-Artes dos Colonos Pretos do Brasil" (8), argumentando que o sistema escravista desvalorizava o valor art�stico dessa produ��o. No entanto, seu pioneirismo deve ser contraposto ao seu racismo, quando escreve que "a ra�a negra no Brasil, por maiores que tenham sido os seus incontest�veis servi�os � nossa civiliza��o (...) h� de constituir sempre um dos fatores de nossa inferioridade como povo" (9). D�cadas depois, Arthur Ramos tamb�m notar� que certas pe�as antropom�rficas dos cultos do candombl� da Bahia tinham absorvido tra�os europeus. Depois de questionar o termo 'primitivo' quando referido � arte africana, observa que nos Estados Unidos haviam se perdido as tradi��es da arte pl�stica africana, porque l� "o negro artista prefere imitar os modelos europeus, e se h� algum movimento modernista primitivo entre eles, ter� vindo de fontes eruditas, e n�o como uma preserva��o de tra�os africanos" (10).

A obra de Rubem Valentim poderia ser aproximada de uma certa 'teoria das representa��es da alma'. No entanto, ela se distancia do conceito de mera representa��o animista ou de vivifica��o das for�as inanimadas da natureza, discutidos por Freud. A obra de Valentim, no seu vi�s mitol�gico e religioso, tem como ponto de partida aquilo que Freud entende como o 'fundo vivo de nosso idioma, de nossas cren�as e de nossa filosofia' (11). O orix�, escreve Pierre Verger, "� uma for�a pura, �se (poder do ancestral-orix�), imaterial que s� se torna percept�vel aos seres humanos incorporando-se a um deles" (12). A teogonia de Valentim se realiza em forma de uma escritura e n�o na representa��o antropom�rfica dos orix�s, mas na compreens�o da estrutura simb�lica. Nisso os orix�s de Valentim, no processo de constru��o de sua presen�a vis�vel, se diferenciam dos orix�s dos artistas cubanos Wifredo Lam e C�rdenas, que, mais envolvidos numa atmosfera de magia, permitem � Europa euroc�ntrica tratar seu conte�do religioso como 'surrealismo'.

Rubem Valentim foi, de v�rias formas, um contraponto na cultura brasileira. Valentim traz uma bagagem cultural dos candombl�s da Bahia, na sua vertente iorub�, e ser� marcado pelo clima cultural do Rio de Janeiro, onde chega em 1957. No Rio conhece a imag�stica dos pontos riscados da umbanda, inexistentes no candombl� da Bahia" (13). A produ��o concretista carioca, desdobrada com a ruptura do neoconcretismo, encontra um paralelo na obra de Valentim, como uma ades�o �s matrizes culturais do momento. Seu recurso � geometria para dinamizar o plano ao ritmo gr�fico, aos pontos de concentra��o de energia visual traz alguns aspectos que permitiriam a aproxima��o de sua obra dos contempor�neos Metaesquemas de H�lio Oiticica. Valentim abandona definitivamente seu interesse figurativo e se dedica a uma escritura de s�mbolos dos orix� do candombl� da Bahia, reduzidos a elementos estruturais-geom�tricos fundamentais. Esse desejo de linguagem construtiva, experimentado na obra de Valentim, vai distanciar o artista das apropria��es t�picas mais pitorescas da literatura de Jorge Amado ou do erotismo ed�nico do padr�o mulher negra, t�o adotado entre os pintores modernistas do Brasil. A Bahia padeceu de exotismo (ou o "pecado t�o f�cil de se cometer na Bahia!", conforme analisou M�rio Pedrosa) (14) at� que Jo�o Gilberto, Glauber Rocha e Caetano Veloso viessem resgat�-la de sua doen�a cr�nica, o folclorismo. Ao se fixar definitivamente na Bahia em 1950, depois de sua viagem pelo Brasil entre 1946 e 1948, Pierre Verger desenvolve o seu grande trabalho fotogr�fico, em que o percurso do campo da di�spora africana ser� tamb�m uma cartografia dos territ�rios dos orix�, comparando o culto iorub� na �frica e em diversas regi�es da Am�rica. � Rubem Valentim quem define para a arte brasileira a exist�ncia de quest�es da negritude, at� ent�o, em termos gerais, concentradas em cenas de costumes. Valentim � o que problematiza a heran�a do candombl� enquanto possibilidade para o momento de transforma��o das artes pl�sticas, para al�m de um tratamento liter�rio. Por sua origem dentro do candombl�, a produ��o de Valentim deve ser vista como pot�ncia desse universo cultural espec�fico, e n�o apenas genericamente como mais um tra�o da cultura brasileira. Por extrair de um contexto popular aut�ctone os elementos para a proje��o de uma brasilidade elementar e contempor�nea, Rubem Valentim "pertence � mesma fam�lia espiritual de Volpi, de uma Tarsila", escreveu o cr�tico M�rio Pedrosa (15). Poder�amos dizer que Valentim viveu possu�do pelos orix�s. N�o se poderia restringir a obra de Valentim � discut�vel id�ia de 'primitivismo' da arte moderna. Rubem Valentim n�o se apropriou de coisa alguma estranha � sua experi�ncia e � sua cren�a. Novo paralelo da obra de Valentim pode ser definido com respeito ao pensamento e � obra de H�lio Oiticica na d�cada de 60. Em seu programa em dire��o � experi�ncia vital e � sensorialidade total, Oiticica estabelece refer�ncias mais espec�ficas � religiosidade afro-brasileira em alguns Parangol�s. Neles inscreve frases como "Incorporo a revolta" (Parangol� P15 Capa 11) ou "Estou possu�do" (Parangol� P17 Capa 13) - incorporar ou estar possu�do vinculam-se diretamente aos trabalhos de investimento dos orix�s. No �den (16) encontra-se O Penetr�vel de �gua - Iemanj� -, uma tenda branca com o ch�o de �gua, evocativo dos atributos desta entidade. Evocando a Antropofagia de Oswald de Andrade para combater o mito universalista euroc�ntrico, Oiticica formulou o Tropicalismo, preconizando o n�o-condicionamento �s estruturas da cultura europ�ia, dizendo textualmente que "s� o negro e o �ndio n�o capitularam a ela" (17).

No sagu�o do audit�rio do Pal�cio do Itamaraty, sede do Minist�rio das Rela��es Exteriores em Bras�lia (18), est�o tr�s grandes pain�is brancos em relevo de autoria de Rubem Valentim, Emanoel Ara�jo (19) e S�rgio Camargo, respectivamente. O painel de Valentim, de madeira pintada com a pureza do branco (conforme express�o do artista), representa um di�logo de temperaturas e da mat�ria org�nica, contrastando com o m�rmore empregado em grandes superf�cies lisas de ch�o e paredes daquele edif�cio. O artista nele incorporou signos como o machado duplo, elemento emblem�tico de Xang� (20). Para o antrop�logo Arthur Ramos, essa figura remontaria �s representa��es eg�pcias, sum�rias e orientais do enfeite das cabe�as dos touros. O s�mbolo da cabe�a representa a pedra do raio, como cena de possess�o do pai de santo em cuja cabe�a penetrou Xang�. Para Arthur Ramos, seria tamb�m como um meteorito, que � popularmente vinculado a raios e trov�es (21). O painel de Rubem Valentim concentrado em Xang�, orix� dos raios e tempestades poderia ent�o ser denominado a pedra do raio - o it� de Xang�. Para Pierre Verger, a pedra de raio (a que chama de �d�n �r�) seria um machado neol�tico, que � lan�ado por Xang� como instrumento de sua ira. Xang� foi inicialmente descrito por Frobenius, que acreditava existirem dois orix�s dessa esp�cie. Segundo Verger, Xang� possui dois aspectos: humano e divino. Diz que "como personagem hist�rico, Xang� teria sido Al��fin �y�, 'Rei de �y�', filho de Oranian e Torosi, a filha de Elemp�, rei dos tap�s, aquele que havia firmado uma alian�a com Oranian. (...) Xang�, no seu aspecto divino, permanece filho de Oranian, divinizado por�m, tendo Yamase como m�e e tr�s divindades como esposas: Oi�, Oxum e Ob�. Xang� � viril e atrevido, violento e justiceiro: castiga os mentirosos, os ladr�es e os malfeitores. Por esse motivo, a morte por raio � considerada infamante" (22). Pode-se prever que, na elei��o do orix� desse pante�o-painel de um edif�cio p�blico em Bras�lia, Valentim n�o ter� dispensado aquela carga simb�lica do atributo de Xang�, com respeito � corre��o de princ�pios �ticos. Desse modo, o painel de Valentim refere-se indiretamente a padr�es morais na condu��o da coisa p�blica, que nos remeteria aos afrescos das cenas do Bom Governo e do Mau Governo (1338-1339), que Ambrogio Lorenzetti inscreve nas paredes do Pal�cio P�blico de Siena.

O painel de Bras�lia �, ainda, um paradigma do m�todo de redu��o do s�mbolo ao signo operada pela obra de Valentim. No plano da constitui��o da linguagem, podemos dizer que a semiologia triunfa no Brasil a partir da d�cada de 50, antes que a cultura negra tivesse inserido suficientemente seus s�mbolos no cen�rio da arte brasileira. Disso decorre import�ncia adicional da obra de Valentim, com seu c�digo semiol�gico emergente de uma teogonia. A obra � um texto cosmog�nico cont�nuo. � o desenvolvimento de um c�digo de signos essenciais capazes de atuar como �ndices dessa espiritualidade. As esculturas, pinturas e relevos de Rubem Valentim conservam m�ltiplas qualidades, como seu sentido hier�tico, her�ldico, ritual�stico, tot�mico, ancestral, imemorial, solene, silencioso, expressivo e sint�tico. O artista teve de estabelecer o c�digo e a sua legibilidade, afastada de hermetismos e da vulgaridade representacional. Giulio Carlo Argan construiu uma s�ntese da atitude de Valentim: "� necess�rio expor, antes, que eles (os signos simb�licos-m�gicos) apare�am subitamente imunizados, privados, das suas pr�prias virtudes origin�rias, evocativas ou provocat�rias: o artista os elabora at� que a obscuridade amea�adora do fetiche se esclare�a na l�mpida forma de mito" (23). Redu��o do t�tem a suas energias visuais essenciais ao seu limite m�ximo de irredutibilidade, al�m do que j� perderiam seu sentido original. � nesse limite que Valentim se distancia do sentido de representa��o para trabalhar com a id�ia de presentifica��o pelo olhar das for�as vitais e naturais. Argan argumentaria conclusivamente aqui que "o seu apelo � simbologia m�gica n�o � portanto o apelo � floresta; �, talvez, a recorda��o inconsciente de uma grande e luminosa civiliza��o negra anterior �s conquistas ocidentais. Por isso, a configura��o das suas imagens � tamb�m mais claramente her�ldica e emblem�tica do que simb�lico-m�gica". Com Valentim, a cultura negra no Brasil chega integralmente com seu sentido espiritual original � arte. Chega sem intermedia��es estil�sticas e negocia��es pol�ticas que renunciassem � identidade.

Notas
1. Uma das grandes casas de candombl� da Bahia, ao lado da Casa Grande do Engenho Velho, do candombl� de Alaketu e do Gantois, conforme Reginaldo Prandi, "As religi�es negras do Brasil". S�o Paulo, Revista USP, dez./jan./fev. 1995-1996, n� 28, pp. 65 a 83.
2. Entrevista de Antonio Olinto ao autor, em 27 de maio de 1996.
3. Bahia, Rio, S�o Paulo, Bras�lia. Janeiro 1976 in Rubem Valentim, S�o Paulo, Bienal de S�o Paulo, 1977.
4. Time and its secrets in Latin Am�rica in Time and the philosophies, Paris, Unesco, 1977, pp. 155 a 167.
5. Rio de Janeiro e Paris, Garnier, 1921. Para a an�lise do pensamento de Gra�a Aranha remetemos o leitor para A Brasilidade Modernista, sua Dimens�o Filos�fica, de Eduardo Jardim de Moraes. Rio de Janeiro, Graal, 1978.
6. Apenas em 1919 as persegui��es policiais aos cultos afro-brasileiros foram banidas.
7. Arte Negra do Brasil. Cultura, Rio de Janeiro, Minist�rio da Educa��o e Sa�de, 1949, n� 2, pp. 189 a 212.
8. Kosmos, Rio de Janeiro, agosto de 1904, ano I n� 8.
9. Na introdu��o a Os Africanos no Brasil (c. 1906), aqui citado da 5a edi��o pela Companhia Editora Nacional, S�o Paulo, 1977, p�g. 7.
10. Op. cit., p. 197.
11. Totem y Tabu. Madrid, Alianza Editorial, 1972, 5� edi��o espanhola. Esse tema da psican�lise freudiana foi retomado por Oswald de Andrade no Manifesto Antrop�fago.
12. Orix�s, deuses iorub�s na �frica e no Novo Mundo. Salvador, Corrupio, 1981, p. 19.
13. Depoimento do artista, apud Frederico Morais, Rubem Valentim Constru��o e S�mbolo. Rio de Janeiro, Centro Cultural do Banco do Brasil. 1994, p. 45.
14. Contemporaneidade dos artistas da Bahia. Rio de Janeiro, Correio da Manh�, 29 de janeiro de 1967.
15. Op. cit.
16. Vinculado ao CRELAZER: "O mundo que se cria no nosso lazer, em torno dele, n�o como fuga mas como �pice dos desejos humanos" (Oiticica in CRELAZER, op. cit. nota supra, p. 115)
17. 4 de mar�o de 1968, in Aspiro ao Grande Labirinto, Rio de Janeiro, Rocco, 1986 (Luciano Figueiredo, Lygia Pape e Waly Salom�o organizadores), pp. 106-109.
18. Rubem Valentim passou a viver em Bras�lia em 1967, per�odo ainda de consolida��o da transfer�ncia da capital federal. O edif�cio foi projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer.
19. A obra de Emanoel Ara�jo mant�m refer�ncias �s tradi��es negras brasileiras, da� o cr�tico americano t�-la denominado "afro-minimalista".
20. Xang� foi inicialmente descrito por Frobenius, que acreditava existirem dois orix�s dessa esp�cie. Segundo Pierre Verger (op. cit., p. 134).
21. Op. cit. p. 203.
22. Op. cit., p. 134.
23. Rubem Valentim, 1966.







































































































































































Cronologia

1922
Nasce em 9 de fevereiro de 1922, em Salvador, Brasil.
"Nasci num sobrado com sacadas de ferro, � rua Maciel de Baixo, 17, Distrito da S�. De pais pobres, fui o primeiro dos seis filhos. Custei a nascer e levei muitas palmadas para chorar. Em compensa��o comecei a gritar com for�a incomum, o que apavorou os presentes. Foi, ao que parece, meu primeiro grito de protesto contra a viol�ncia. Dos 4 aos 13 anos, vivi � rua Futuro do Toror�, onde morava gente de classe m�dia e tamb�m gente muito pobre e humilde. Cresci tomando consci�ncia das diferen�as de classe, do dinheiro sempre escasso e das injusti�as que marcavam meu pequeno mundo. Brinquei muito na rua. O prazer maior era empinar arraias e faz�-las com gosto. Durante as festas juninas era um n�o-acabar de fazer bal�es de papel colorido, bem como altares de Santo Ant�nio decorados com recortes de papel de seda e folhas douradas. Mas de todos os meus encantos infantis nenhum se comparava ao de fazer pres�pios. Mundo po�tico, popular, de cor e riqueza imaginativas, que ficou em mim e influenciou profundamente minha arte. Me perdia na contempla��o das igrejas: o ouro dos altares, as imagens, o sil�ncio, o cheiro de incenso e de velas queimando. Cantoch�o. Prociss�es. O Natal e a Paix�o. Minha fam�lia, cat�lica, de quando em vez ia ver um caboclo num candombl�. E l� ia eu penetrando no universo fant�stico do candombl�. O baiano, para sua felicidade, � cat�lico e animista. Conheci Arthur Come-S�, o pintor-decorador de paredes, homem simples e s�rio. Trabalhava sem ajudantes, da� seu apelido. Tr�s vezes pintou nossa casa: paisagens na entrada, flores na sala de visitas, frutas na sala de jantar, os quartos pintados de azul claro ou rosa, com barras de flores. Com ele aprendi a t�cnica da pintura a t�mpera. Quando entrei para o Gin�sio da Bahia, viv�amos na Gamboa de Cima, em casa alegre com fundos para o mar. N�o fui mau aluno. Cumpria com o meu dever de estudar e gostava principalmente das aulas de desenho geom�trico. Lia muito. Romances. Ganhava algum dinheiro vendendo agulhas e �leo para m�quinas de costurar. Em seguida, trabalhei num cart�rio de registro civil. Com 17 anos prestei servi�o militar."
1946
Forma-se em Odontologia pela Universidade da Bahia, Brasil, mas exerce a profiss�o por apenas dois anos, atra�do irresistivelmente pelas artes pl�sticas.
1948
Inicia sua participa��o no movimento renovador das artes pl�sticas em Salvador, liderado pela revista Caderno da Bahia, ao lado de M�rio Cravo Jr., Carlos Bastos, Raymundo de Oliveira, Jenner Augusto, Lygia Sampaio e dos escritores Wilson Rocha, Cl�udio Tavares e Vasconcelos Maia. Este �ltimo apresenta-o ao pintor Aldo Bonadei, de quem recebeu muitos conselhos e est�mulos para seguir pintando.
"Meu primeiro contato importante com a arte contempor�nea ocorreu em 1948, na exposi��o de artistas nacionais e estrangeiros organizada por Marques Rebelo na Biblioteca P�blica de Salvador. Fui v�-la v�rias vezes, deslumbrado, perdido, chocado com aquele mundo fant�stico e t�o novo para mim. Aluguei uma sala num velho sobrado de tr�s andares, com sacada de ferro. Pela manh� desenhava composi��es com garrafas, latas, moringas, vasos, ex-votos e cer�mica popular. Elaborava esquemas de cor e valores. � tarde, fazia pesquisas formais - livres, imaginosas. Ou ia ao Museu de Arte conversar com Jos� Valladares, que me emprestava livros e revistas sobre arte. Reproduzia imagens de um livro grosso sobre C�zanne, copiando-as a �leo, com valores em cinza. Com C�zanne aprendi a compor. Fiz c�pias tamb�m de Modigliani, Matisse, Braque, Picasso e Chagall. Atrav�s de Klee compreendi a liberdade da express�o pl�stica e o valor fundamental da imagina��o criadora. Sempre lutando para vencer as dificuldades de execu��o. Nunca fui muito habilidoso - felizmente. Vivia com sacrif�cio, sem dinheiro."
1949
Participa do I Sal�o Baiano de Belas-Artes com duas pinturas: uma delas abstrata. Sua participa��o no Sal�o Baiano ir� at� 1956.
1950
Integra com M�rio Cravo Jr., Jenner Augusto e Lygia Sampaio a mostra Novos Artistas Baianos, patrocinada pelo Caderno da Bahia e realizada no Instituto Geogr�fico e Hist�rico.
1951
"Um dia, no ateli�, perdi a cabe�a. Rasguei os cadernos de desenho, destrui todos os meus estudos, as telas, esvaziei os tubos de tinta, despejei os �leos de linha�a, os solventes, quebrei o cavalete e os pinc�is a marteladas. Sa� do ateli�, deixando atr�s de mim parte de minha vida assassinada. Perambulei com dor na alma, odiando pela primeira vez a terra que amo, cheio de raiva contra uma sociedade em decad�ncia e med�ocre. Foram quinze dias de purgat�rio, durante os quais me perdi nas ruas de Salvador. Um dia acordei tranq�ilo. Reencontrei o verde das �rvores, ouvi de novo o canto dos passarinhos, voltei a amar o azul da Bahia. A p�, tomei o caminho de volta ao ateli�. Senti ent�o uma tristeza amarga, chorei de saudade dos meus trabalhos destru�dos. E novamente aceitei meu destino. Com 50 cruzeiros dados por um irm�o, comprei material de pintura. Voltei a pintar."
1953
Forma-se em Jornalismo pela Faculdade de Filosofia da Universidade da Bahia, Brasil. Publica cr�nicas sobre arte na imprensa.
1954
Realiza individuais no Pal�cio Rio Branco e na Galeria Oxumar�. Num s�t�o desta �ltima, instala seu ateli�, onde se mant�m por v�rios anos.
1955
Recebe o pr�mio Universidade da Bahia no VII Sal�o Baiano de Belas- Artes.
"Descoberta da arte negra - dos signos - s�mbolos do candombl�: Ox� de Xang�, o machado duplo, no mesmo eixo central, recriado por mim e posteriomente transformado em forma fundamental de minha pintura, Xaxar� de Omulu, Ib�ri de Nan�, Abeb� de Oxum, ferros de Osanhe e de Ogum, Pachor� de Oxal�, os pegis, com sua organiza��o compositiva, quase geom�trica, contas e colares coloridos dos orix�s. Na pintura, buscava uma linguagem, um estilo para expressar uma realidade po�tica, extraordinariamente rica, que me cercava, para torn�-la universal, contempor�nea. Pacientemente fazia o transpasse de todo esse mundo para o plano est�tico."
1956
Integra a mostra Artistas Modernos da Bahia, na Galeria Oxumar�. Participa da III Bienal de S�o Paulo e do V Sal�o Nacional de Arte Moderna, no Rio de Janeiro, Brasil.
1957
Integra a mostra Artistas da Bahia, realizada no Museu de Arte Moderna de S�o Paulo, Brasil. Transfere-se para o Rio de Janeiro, Brasil.
1958
Integra a mostra Oito Artistas Contempor�neos, que inaugura a Galeria Macuna�ma, da Escola Nacional de Belas-Artes. Os demais expositores s�o Inim�, Benjamim Silva, Abelardo Zaluar, Dom�nico Lazzarini, Ernani Vasconcelos, Carlos Magano e Ubi Bava. Nomeado professor-assistente de Carlos Cavalcanti, na cadeira de hist�ria da arte do Instituto de Belas-Artes.
1959
Participa da V Bienal de S�o Paulo e do VII Sal�o Nacional de Arte Moderna, no Rio de Janeiro, Brasil.
1960
Participa do IX Sal�o Nacional de Arte Moderna, recebendo o certificado de isen��o do j�ri e o pr�mio Federa��o Nacional das Ind�strias.
1961
Casa-se, em 25 de mar�o, com L�cia Alencastro, arte-educadora e uma das fundadoras, com Augusto Rodrigues, em 1948, da Escolinha de Arte do Brasil. Realiza individuais no Museu de Arte Moderna de S�o Paulo, Brasil e na Petite Galerie. Divide com Milton Dacosta o primeiro pr�mio do sal�o promovido pela Petite Galerie entre seus expositores. Participa da VI Bienal de S�o Paulo e do X Sal�o Nacional de Arte Moderna, no Rio de Janeiro.
1962
Realiza individual na Galeria Relevo, no Rio de Janeiro, Brasil, que lhe d� o pr�mio da Associa��o Brasileira de Cr�ticos de Arte para a melhor exposi��o do ano. Participa do Sal�o Paulista de Arte Moderna, no qual � premiado com medalha de ouro; do XI Sal�o de Arte Moderna, no Rio de Janeiro, Brasil, recebendo o pr�mio de viagem ao Exterior, e da Bienal de Veneza. Integra duas coletivas, na Galeria Relevo e na Casa do Brasil, em Roma, It�lia, esta �ltima reunindo os artistas da representa��o brasileira � Bienal de Veneza, It�lia.
1963
Participa da VII Bienal de S�o Paulo. Viaja � Europa. Antes de se fixar em Roma, It�lia, a partir de 31 de mar�o de 1964, reside em Bristol, Inglaterra, acompanhando sua mulher, bolsista na Bath Academy of Art, e em Londres. Na Europa, realiza viagens por diversos pa�ses, interessando-se especialmente pelos museus de arte negra e de antropologia.
1965
Faz individual na Casa do Brasil, em Roma, It�lia. Participa da mostra internacional Alternative Attuali/2, em L'Aquila, It�lia.
1966
Participa do I Festival Mundial das Artes Negras, em Dacar, Senegal, com doze pinturas realizadas em Roma, It�lia. Retorna ao Brasil em setembro e participa da I Bienal da Bahia, em Salvador, Brasil, reunindo 29 pinturas em sala especial, das quais 21 realizadas em Roma. O j�ri concede-lhe o pr�mio especial 'por sua contribui��o � pintura brasileira'.
"Com o peso da Bahia sobre mim - a cultura vivenciada -, com o sangue negro nas veias - o atavismo -, com os olhos abertos para o que se faz no mundo - a contemporaneidade -, criando meus signos-s�mbolos, procuro transformar em linguagem visual o mundo encantado, m�gico e provavelmente m�stico que flui continuamente dentro de mim. O substrato vem da terra, t�o ligado que sou ao complexo cultural da Bahia. Partindo desses dados pessoais e regionais, busco uma linguagem aut�ntica para me expressar plasticamente. N�o tenho ambi��es vanguardistas, ou melhor, n�o quero ser um eterno profissional das vanguardas."
1967
Individual na Galeria Bonino, no Rio de Janeiro, Brasil. Integra as mostras VI Resumo da Arte/Jornal do Brasil, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Brasil, e Artistas Abstratos Geom�tricos, na Galeria Macuna�ma. Convidado a ensinar pintura no Instituto Central de Arte da Universidade de Bras�lia, transfere-se para a capital federal. Realiza individual no Hotel Nacional, em Bras�lia, Brasil, e participa da IX Bienal de S�o Paulo, recebendo um dos pr�mios Itamaraty.
1968
Participa do IV Sal�o de Arte Moderna do Distrito Federal, em Bras�lia, Brasil.
1969
Participa do Panorama de Arte Atual Brasileira, no Museu de Arte Moderna de S�o Paulo, Brasil, e da X Bienal de S�o Paulo, Brasil, reunindo, em sala especial, 12 objetos emblem�ticos. Integra, com Waldemar Cordeiro, a representa��o brasileira � I Bienal Internacional de Arte Construtiva, em Nurembergue, Alemanha.
"Nunca fui concreto. Tomei conhecimento do Concretismo por meio de amizades pessoais com alguns dos seus integrantes. Mas logo percebi, pelo menos entre os paulistas, que o objetivo final de seu trabalho eram os jogos �ticos e isto n�o me interessava. Meu problema sempre foi conteud�stico (a impregna��o m�stica, a tomada de consci�ncia dos valores culturais do nosso povo, o sentir brasileiro). Claro, mesmo n�o tendo participado do Concretismo, percebi entre seus valores a id�ia da estrutura que se adequava ao car�ter semi�tico de minha pesquisa pl�stica. Mas posso dizer que sempre fui um construtivo."
1970
Realiza individual no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Brasil, expondo 31 objetos-emblemas e relevos-emblemas. Participa da II Bienal de Medell�n, Col�mbia, e integra coletiva de artistas pl�sticos de Bras�lia, Brasil, no Conselho Brit�nico.
1971
Realiza individual na Galeria Documenta, em S�o Paulo, Brasil. Participa do IX Resumo de Arte/Jornal do Brasil, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Brasil, e da mostra Arte Moderna nos Sal�es Oficiais, no Museu Nacional de Belas-Artes.
1972
Participa da I Exposi��o Internacional de Pintura Contempor�nea, realizada no Museo Nacional de Bellas Artes do Chile, em Santiago, durante reuni�o da Unctad III, e das coletivas Arte Brasil Hoje - 50 anos Depois, na Galeria Collectio, S�o Paulo, Brasil, e Prot�tipos e M�ltiplos, na Petite Galerie, no Rio de Janeiro. Realiza sua primeira obra p�blica: um mural de m�rmore, com 120 metros quadrados, para o edif�cio-sede da Novacap, em Bras�lia.
"� uma das obras p�blicas mais dignas que j� vi - despojada e silenciosa. Toda ela realizada em m�rmore, tem a serenidade e altivez das obras cl�ssicas. Mantendo rigorosamente a coer�ncia com toda sua obra anterior, Valentim n�o se limitou a cuidar da �rea restrita ao mural. Criou um ambiente, implantando seus signos tamb�m no piso de pedras portuguesas e construindo um pequeno lago junto ao mural, que o reflete." (Frederico Morais, 1975)
1973
Realiza individual na Galeria Ipanema, no Rio de Janeiro, Brasil. Participa da XII Bienal de S�o Paulo, sendo premiado com aquisi��o, e do I Sal�o Global da Primavera, em Bras�lia, Brasil, no qual recebe pr�mio de viagem � Europa. Integra a coletiva 21 Anos de Sal�o Nacional, na Galeria IBEU, no Rio de Janeiro, Brasil.
1974
Exp�e na Galeria Porta do Sol, em Bras�lia, Brasil, a s�rie de serigrafias reunidas no �lbum Logotipos po�ticos da cultura brasileira. Integra a mostra Acervo de Arte Brasileira do Museu de Ont�rio, Canad�, apresentada no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e no de S�o Paulo, Brasil. A�cio Andrade realiza o curta-metragem Rubem Valentim e sua obra semiol�gica.
1975
Realiza individuais na Funda��o Cultural do Distrito Federal, Bras�lia, Brasil, e na Bolsa de Arte do Rio de Janeiro. Integra a Exposi��o de Artes Pl�sticas Brasil-Jap�o, que circulou por diversas cidades japonesas, e participa do Panorama de Arte Atual Brasileira (objeto), recebendo o pr�mio Museu de Arte Moderna de S�o Paulo, Brasil. Frederico Morais realiza o audiovisual Rubem Valentim, com fotografias de Luis Humberto e depoimentos do artista.
1976
Realiza individuais de serigrafia no Pal�cio das Artes, em Belo Horizonte, Brasil, e no Museu de Arte e Cultura Popular da Universidade Federal do Mato Grosso, em Cuiab�, Brasil. Participa da Bienal Nacional de S�o Paulo, com 12 pinturas da s�rie Emblemas Po�ticos de Cultura Afro-Brasileira, recebendo o primeiro pr�mio. Publica o Manifesto ainda que tardio: depoimentos redundantes, oportunos e necess�rios.
1977
Participa da XIV Quadrienal de Roma, It�lia; do II Festival Mundial das Artes Negras, em Lagos, Nig�ria; de Vis�o da Terra, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Brasil; do IV Encontro Nacional de Artes Pl�sticas, em Goi�nia, Brasil; da XIV Bienal de S�o Paulo, Brasil, na se��o "O muro como suporte de obras", com a instala��o Templo de Oxal�, composta por 14 relevos e 20 objetos-emblemas; e da mostra Projeto Construtivo Brasileiro em Arte 1950/1962, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Brasil, e Pinacoteca de S�o Paulo, Brasil. Cria um centro cultural que leva seu nome, com o objetivo de "buscar e definir uma visualidade brasileira". No documento de funda��o, Valentim diz que "o centro cultural dar� �nfase �s manifesta��es art�sticas e culturais ligadas �s nossas tradi��es, encaradas dinamicamente. Ser� um centro de cultura resistente, aglutinador dos fluxos e influxos vindos de todo o Brasil. Debateremos a arte brasileira sem dogmatismos ou sectarismos, mas vamos ver se � vi�vel uma teoria da arte brasileira". Entraves burocr�ticos dificultaram a concretiza��o do projeto.
1978
Realiza individuais na Galeria Bonino e na Funda��o Cultural Distrito Federal. Participa da mostra Am�rica Latina: Geometria Sens�vel, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, totalmente destru�da por um inc�ndio.
1979
Participa do Panorama de Arte Atual Brasileira, no Museu de Arte Moderna de S�o Paulo, Brasil. Realiza escultura de concreto aparente com 8,5 metros de altura, implantada na Pra�a da S�, em S�o Paulo, Brasil, definida pelo artista como "marco sincr�tico da cultura afro-brasileira" e como "s�mbolo da cultura mulata". Realiza para a Casa da Moeda do Brasil, por indica��o de uma comiss�o de cr�ticos, cinco medalhas (ouro, prata e bronze) nas quais recria s�mbolos afro-brasileiros.
1980
Individual na Funda��o Cultural do Distrito Federal, Bras�lia, Brasil.
1981
Integra a mostra Arte Transcendente, no Museu de Arte Moderna de S�o Paulo, Brasil.
1982
Participa da I Exposi��o de Arte Latina, Recife. Passa a dividir sua resid�ncia entre Bras�lia e S�o Paulo, Brasil.
1985
Participa da mostra Tradi��o e Ruptura - S�ntese de Arte e Cultura Brasileiras, na Funda��o Bienal de S�o Paulo. Integra a coletiva Pintura Brasileira Atuante, no Espa�o Cultural Petrobr�s, no Rio de Janeiro, Brasil.
1986
Mostra conjunta com Athos Bulc�o, Galeria Performance, Bras�lia, Brasil.
1988
Individual na Galeria Versailles, no Rio de Janeiro, Brasil. Participa da mostra A M�o Afro-Brasileira, no Museu de Arte Moderna de S�o Paulo, Brasil.
1989
R�plicas de objetos-emblemas de Rubem Valentim s�o mostradas no desfile da Escola de Samba Unidos da Tijuca, no Rio de Janeiro, que teve por tema 'De Portugal � Bienal no pa�s do carnaval'.
1990
Realiza individual de pinturas e desenhos na Galeria Letra Viva, em S�o Paulo, Brasil. Integra a coletiva A Est�tica do Candombl�, no Museu de Arte Contempor�nea da Universidade de S�o Paulo, Brasil. Participa com serigrafias do Circuito Paulista de Arte Contempor�nea, em S�o Jos� do Rio Preto, Bauru, Campinas e Ribeir�o Preto, Brasil.
1991
Realiza individuais no Instituto Brasileiro-Americano, em Washington DC, Estados Unidos, e na Galeria do Sol, em S�o Jos� dos Campos, Brasil. Morre em S�o Paulo, em 30 de novembro de 1991.
"Ele carregou o peso de suas ousadias, sangrou no corte dos seus sonhos, mas deixou - aos nossos cuidados - uma heran�a de beleza, de f� muito brasileira, de for�a e persist�ncia. E continua afirmando: 'fora do fazer n�o h� salva��o'." (L�cia Valentim, 1992)
1992
Comemorando o primeiro anivers�rio da morte do artista, s�o realizadas as seguintes mostras: Os Guardadores de S�mbolos e Ax� na Pra�a da S�, no Museu de Arte de Bras�lia, Brasil; O Sopro Inicial, na Galeria de Arte da ECT; Forma e Cor Essencial, na Casa de Cultura da Am�rica Latina; O Templo de Oxal�, no Pal�cio Itamaraty, Brasil; Eu Procuro a Claridade, a Luz da Luz, no Espa�o Cultural Rubem Valentim, na Universidade Hol�stica, todas em Bras�lia, Brasil'; e ainda Altares Emblem�ticos, na Pinacoteca de S�o Paulo, Brasil, e Bahia - Emblemas e Magia, no Memorial da Am�rica Latina, S�o Paulo, Brasil, e serigrafias, no Museo de la Estampa, no M�xico.
1993
Individuais de serigrafia, no Museu de Arte da Universidade Federal do Cear�, Fortaleza, Brasil, e de objetos e relevos emblem�ticos no Museu de Arte Moderna da Bahia, Salvador, Brasil, em homenagem aos participantes da III Confer�ncia Ibero-Americana de Chefes de Estado e de Governo. Integra com Athos Bulc�o e Tomie Ohtake a mostra Tri�ngulo, no Espa�o Cultural 508 Sul, da Funda��o Cultural do Distrito Federal, Bras�lia, Brasil.
1994
Sala especial na Feira do Livro em Frankfurt, na mostra Arte e Religiosidade Afro-Brasileira; Retrospectiva Constru��o e S�mbolo, no Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, Brasil.
1995
Sala especial na Feira do Livro em Frankfurt, Alemanha; integra a mostra Herdeiros da Noite, em comemora��o aos 300 anos de Zumbi, no Espa�o Cultural 508 Sul, Bras�lia, Brasil.